
Chove. O barulho da chuva no asfalto.
Os pingos batendo no vidro da janela, escorrendo lentamente.
Parece cena de filme, um momento propício para escrever. Essa é a cena que vem à minha mente muitas vezes, quando imagino algum poeta sentado na penumbra, versando. Jamais consegui ser personagem de uma cena assim. A sacada impede os pingos da chuva de chegarem até a minha janela.
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Pelas caixas de som a voz de Gessinger invade meu quarto. Não há som de chuva, nem de carros, nem vozes. Apenas os acordes, a voz de Gessinger e o barulho das teclas misturando-se. A mente turbilhando em pensamentos que aos poucos se transformam em palavras.
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Acho que nos impressionaríamos se nos fosse possível calcular a quantidade de idéias que a gente perde ao longo da vida. Aquela idéia que surge na viagem de ônibus, no meio do banho, na rua, no escuro do quarto enquanto se tenta dormir. Em nenhuma dessas vezes é possível tomar nota e então a nossa memória deixa o esquecimento engolir as idéias, uma a uma. Depois, fica o sentimento de que um ótimo texto ou um perfeito poema foi perdido.
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Me impressiona o fato de a maioria das pessoas acreditarem que não existe felicidade quando não se está amando. Parece que é imposto e imprescindível que estejamos apaixonados, o tempo inteiro. Quando não se ama, não se pode ser feliz? Afinal, o que é felicidade? Será mesmo que, com tanta gente "sozinha" por aí, todos sejam infelizes?
Felicidade é coisa que se contrói aos poucos. Cada um contrói a sua. E nenhuma felicidade pode ser baseada em alguém. Ou você é feliz por você mesmo, ou não é verdadeiramente feliz.
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Tudo é relativo. Tudo tem um lado positivo, é uma questão de "visão". Depende da forma como se enxerga. Ou se quer enxergar. Cada um de nós decide se quer sorrir ou chorar; se quer encarar tudo como erros e derrotas, ou como aprendizados e chances de crescer como ser humano.
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Com o tempo a gente descobre que, dificilmente, a primeira impressão é a que realmente fica. As pessoas nos impressionam todos os dias. Jamais se conhece alguém por completo. Jamais a gente vai se conhecer por completo.
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Não, eu não deixei de escrever poesia e muito menos esqueci das Portas Secretas. Também não abandonei o detetive Watson e seu felino Sherlock. Apenas tinha vontade de desfiar palavras, de pelo menos uma vez postar aqui os pensamentos desconexos que todos os dias invadem as páginas da minha agenda.
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"Hoje eu acordei, agora eu sei, viver no escuro..."
Ilex paraguarienses - Engenheiros do Hawaii